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A chegada

March 30, 2017

Aqui se inicia a viagem por entre diferentes bairros da capital portuguesa, estabelecendo-se a ligação entre o que se pode ver nas propostas da coleção de moda e o livro "Lisboa - o que o turista deve ver", escrito por Fernando Pessoa.

 

 

No morno amanhecer, a cidade espreguiça-se por escassos momentos até que a azáfama toma conta de cada rua, recanto ou ruela. O sol beija os vidros das janelas num tom de calmo namoro que há-de ganhar o rubor da paixão eterna à medida do avanço do dia. Dos bairros mais populares corre-se para trabalhos que não esperam. Por entre as ameias do castelo, um vento assobia num tom lúgubre, mas a inigualável luz cristalina do dia e o intenso azul do céu contrariam-no. Lá em baixo, manso, o rio pasta em reverberações prateadas que, aqui e ali, sofrem agitação momentânea com os sulcos de espuma deixados pela urgência dos cacilheiros. Uma neblina fina toma a ponte como refém até se desfiar, convencida pela doçura do calor. À beira-rio fazem-se fotos, fitam-se fartos navios na sua flutuante vontade que cruza as águas em nome do comércio ou do turismo.

 

A corrida matinal mostra os saltitões do costume, empenhados em manter o que acabará por perder-se. Febril, o dia avança. Automóveis e transportes públicos formigam imparáveis nos carreiros. O deslizar metálico dos eléctricos é como um chilreio de aves canoras. Esvoaçam centenas de pombos, transeuntes estugam o passo em caminhos sem destino. Alaranja-se o astro-rei à procura do zénite. Dali a pouco já anoitece. O tempo é de regressos. Indiferente ao corrupio incessante, à busca infatigável do final de dia, a uma procura do que nunca se alcança, o casal contempla a lua. É já outro o brilho no breu do céu. Olhos nos olhos, perdem-se e encontram-se. Entrelaçam os dedos. Lisboa parece parada – mera ilusão. É só um intervalo apaixonado. Não tarda vai começar tudo outra vez. Como a cidade, que é para sempre, também eles parecem não ter princípio nem fim.

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